24/10/16 - Brasil: Cadeia produtiva de hortaliças gira, por ano, R$ 55 bilhões

A cadeia produtiva de hortaliças movimenta no país cerca de R$ 55 bilhões ao ano, com uma área de 820.000 hectares destinados à produção, segundo a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM). A estimativa se baseia em dados das empresas associadas à entidade, que representam 98% da indústria sementeira nacional.

Segundo a ABCSEM, 20 milhões de toneladas de 18 hortaliças diferentes são produzidas por ano no Brasil. Tomate, cebola, melancia e alface são responsáveis por 50% desse total. “Apesar do momento de recessão, o mercado de sementes de hortaliças tem conseguido se manter graças à profissionalização dos produtores e ao investimento contínuo em novas variedades e tecnologias a campo”, disse Steven Udsen, presidente da entidade.

Segundo ele, é difícil mensurar o crescimento real do comércio de sementes de hortaliças, por se tratar de um mercado internacionalizado e, por isso, influenciado pelo câmbio. Mas os dados consolidados mostram uma expansão média do setor de 12% ao ano desde 2010. “Para ser ter uma ideia do potencial do mercado de hortaliças no país, o valor de produção do tomate e da alface, juntos, correspondem ao valor da produção do item mais presente na mesa do brasileiro: o arroz, cujo montante é de cerca de R$ 4.5 bilhões. Mas a área ocupada por tomate e alface equivale a apenas 5% da área destinada ao cereal”.

A introdução de novas variedades e a conversão para híbridos ajudam a explicar os resultados. A indústria de sementes tem investido em pesquisa para desenvolver variedades com cores, formatos e sabores diferenciados para o consumidor, além das facilidades de plantio e manejo para o produtor.

Como em outros segmentos do agronegócio, onde a expansão se deve mais ao ganho de produtividade e menos à expansão de área, os produtores de hortaliças de maior porte também têm recorrido a ganhos tecnológicos para crescer. No Sul e no Sudeste, por exemplo, tornou-se mais comum a adoção de campos irrigados e com maquinário, assim como câmaras frias para o armazenamento.

A adoção de tecnologia nas sementes – os chamados híbridos, melhores e mais caros – ainda é uma realidade circunscrita a somente 25% da área total semeada no País, contra uma grande maioria que conta com a polinização aberta para produção.

Com boas características climáticas, o Brasil se tornou provedor de melão para o mercado europeu na entressafra daquele continente. “Mas a burocracia não permite que ampliemos as vendas”, disse Udsen, citando a demora na autorização para embarques e a certificação fitossanitária. “Países da África, como Quênia, Marrocos, Senegal e Tanzânia, abastecem a União Europeia com vagem, tomate e melancia. O Brasil poderia embarcar muito mais”.

O segmento também poderia ter uma expansão mais acelerada caso os brasileiros consumissem mais hortaliças, afirma o executivo. “Somos autossuficientes porque o consumo ainda é baixo”. Cada brasileiro ingere, em média, 130 gramas de hortaliças por dia – a FAO, braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, recomenda 400 gramas diárias.

A produção brasileira de hortaliças é relativamente pulverizada. Mas o Estado de São Paulo, sozinho, representa 20% do volume nacional, com forte presença de folhosas.




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